Festa no Morro

Sem máscara
Serpenteio a multidão
Há espaço o suficiente

Inspirar, expirar

E aquela antiga sensação
De algo estar errado
Não muda

São quase 30 anos depois

Fiéis, mulheres, pagam as suas promessas
Joelhos no asfalto
Sozinha, ando como um autômato
Em busca de uma razão de ser
Fraca demais para me proteger de uma possível confusão

Recife é bonita do alto

Luzes
Brinquedos infláveis
Acho que ganhei um
Foi quase 30 anos atrás

Ânsia de vômito
Mal-estar
Um desvanecer

“Ela é inteligente, guerreira…”
Relembro duas de algumas palavras
Impactantes de se ouvir
Foi o recado de uma mulher que nunca vi
Elogios que ainda anseio
Que sejam vindos do coração
De qualquer um dos dois

É impossível conter as lágrimas
Sento para suportar
O peso do reconhecimento
De uma estranha
Uma senhora percebe a minha desconexão

“Ela está reagindo ao abandono que sofreu”
“Não é fácil…”

Quase 30 anos atrás:
Quando vão me reconhecer?

Eu sou meu próprio suporte
Eu sou meu próprio viver
Seja forte, seja inteligente, seja paciente, seja compreensiva. Perdoe.

Isso eu chamo de autopsicologia

“Isso é clichê.” Me repreendia quando já não interessava o incentivo quem se acha poeta demais. Intelectual demais. Hoje fala de signos para atrair a próxima vítima.

“Como é isso?”, perguntou-me ela, quando a paixão ainda se formava, um pouco mais de 2 anos atrás. Eu mesma me critico, me analiso, me aperfeiçoo e me incentivo.

Em uma família violenta
Nas palavras, Nos silêncios
A sensação de algo estar errado
Não muda quase 30 anos depois

A linguagem não verbal
Aterroriza
A palavra
Corrói
Tal qual a chuva que esfarela
A rocha no Catimbau

Areia lavrada
Pouco a pouco

Mentalizo
Eu sou uma sobrevivente

Até quando ele quiser? Aquele quem tirou todas as portas para pintar e demorou muito tempo para recolocá-las desalinhadas e ainda sem fechadura. É impossível fechá-las ou trancá-las. É impossível se proteger. A vigilância acontece 24 horas por dia. O Big Brother macabro de quem se acha poderoso demais. Perfeccionista demais. Lonas são telhados numa mansão que já nasceu ruína. A quentura desce como se vivêssemos com o próprio diabo.

Uma família inteira especialista em triangular assiste, auxilia e corrobora a ciranda macabra. Tudo por um cartão que parcela em 12 vezes. Na frente o elogio. Por trás a difamação.

As palavras mudam conforme a emoção.

“Manipuladora”, “Já estava pensando q vc era uma psicopata”. Me acusou aquela que acompanha tudo que posto, quase todos os dias, quase sempre no mesmo horário. Aquela quem me adentrou no mundo sensível e me deu tanto carinho.

Mas as máscaras caem.

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