A malandragem é autodidata

Na edição 12, ano 2016, da Revista Outros Críticos, contribuí com o projeto gráfico da publicação que foi uma das que me ensinaram sobre como as diferentes superfícies podem influenciar bastante na impressão das cores.

Aprendi o design gráfico de forma autodidata, para fazer acontecer, dar forma, visualidade, uma estrutura, organização, vida, planejamento, aos textos e ideias do que viria a ser os Outros Críticos.

No web design foi o mesmo processo: Vamos fazer! Eu sou capaz de aprender!

Tudo é possível para mim, basta acreditar e colocar a mão na massa.

Eu sempre tive essa característica de concretizar as ideias (além de tê-las). Para mim, pensar e fazer, mente e corpo – ou demais dicotomias que o pensamento cartesiano insiste em perpetuar – não abarcam a nossa complexidade e a diversidade animal e da Pachamama.

Ser autodidata também é uma estratégia de sobrevivência de quem nasce na periferia, é a malandragem de saber de tudo um pouco ora para ter como se virar na comum imprevisibilidade da existência, ora para suprir a desnecessária escassez de recursos sociais vários, como o financiero, o psicológico, entre outros; ora pra ter o que oferecer a quem tem mais poder aquisitivo e, assim, não morrer de fome; ora pra não cair no esquecimento.

Tanto quem é autodidata quanto quem vive na malandragem tem de saber lidar com o erro, embora preferiria não encarar. Conforto: quase inexistente no vocabulário.

Foi na edição 12 da revista Outros Críticos que arrisquei mexer com a sobreposição das cores da fonte. Trabalhar com cores RGB na tela do computador implicava desafiar meu astigmatismo. Enquanto com as CMYK, a absorção de luz. E apostei alto, mas era um blefe.

Quando recebi a edição impressa, logo no editorial a tonalidade verde clara da tipografia se confundia com a tonalidade verde intensa do fundo. Quase não se consegue ler o texto.

– Putz…. Errei…

É nessa hora que tento identificar a falha de leitura e fazer melhor depois.

Até porque acredito que o aprendizado a gente constrói a partir da percepção das nossas “falhas” e vulnerabilidades. A sabedoria, a partir dos caminhos que seguimos diante dela.

Recife, 08 de junho de 2022.

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