Olá, Google: engenho de nossas mentes

A internet é um espaço colonizado. Tomada por narrativas hegemônicas.

Hoje, fiz uma busca e o resultado da pesquisa do Google para a expressão de origem indígena “Potyraybu” escancara a face colonizadora de seus códigos, ou melhor, das pessoas que o desenham.

Expectativas:
> Encontrar referências falando sobre a presença Tupi-Guarani na Zona da Mata Norte Pernambucana;
> Ler narrativas dos próprios Tupis-Guaranis sobre sua história na região.

Realidade:
Resultados sobre Usina Petribu SA (antigo Engenho Pitribú, em Carpina, Pernambuco)

Petribu que antes era Pitribu que antes era Potyraybu que vem do Tupi-Guarani “que significa fonte de águas claras ou fonte das borboletas” , segundo o IPA. Por isso a necessidade da minha busca, para confirmar esta informação.

Ainda nas palavras do IPA, o Engenho “foi implantado num lugar que os índios chamavam de potyraybu”.

Permita-me a reescrita:

O Engenho, atual Usina Petribú, se APOSSOU de terras indígenas, assim como SE APROPRIOU da língua Tupi-Guarani, é o que indica a história de colonização do território brasileiro e extermínio de povos indígenas.

Apropriação narrada pelo site institucional da própria Usina Petribú:
“Com o passar das gerações, o nome passou ser escrito como petribú e se tornou tão forte que, em 1911, o sétimo descendente do Sr. Cristóvão, o Cel. João Cavalcanti de Albuquerque, passou a adotar esse nome também como o de família, se tornando o Cel. João Cavalcanti de Petribú.”

Sempre um coronel envolvido, por aqui…

E o que dizer do “erro” grosseiro, ou melhor, na intensificação da falta de respeito e falta de reconhecimento da redação institucional da “empresa familiar” que escreve em seu texto: “Potyraybu” é “Originário do pupi-guarani”. Isso: do PUPI-Guarani.

Olá, Google: engenho de nossas mentes

Referências:
http://www.ipa.br/noticias_detalhe.php?idnoticia=1005&secao=1
https://www.petribu.com.br/historia

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